sexta-feira, 13 de abril de 2012


"Ele, em cuja presença tu amavas viver, era-te afinal por completo desconhecido. Só um completo desconhecido se permitiria fazer o que ele te fez. Não gostas de te lembrar como tudo acabou, mas não tens mão sobre a tua memória. A memória apanha-te sempre, em particular nos momentos mais inesperados. Gosta de jogar ao toque e foge, às escondidas, à cabra-cega. Lembras-te dele quer seja dia ou noite. Sonhas com ele, ou com alguém muito parecido com ele, o que te confunde e angustia. Ainda acontece chorares por ele, ou por o que quer que seja que te deixou mais só do que sempre foste. Embora não o admitas a ninguém."

 A rapariga errada  - Pedro Paixão

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