Não me perguntes quando é que foi a primeira vez que falámos, o que dissémos, onde estávamos, eu não sei. Sei que me custou aproximar de um rapaz que mal conhecia, agarrar na minha mala grandeee laranja e acompanhá-lo até a casa. Era estranho para mim. Mas assim que esses rubis verdes me agarraram e esse sentido de humor me conquistou, deixei-me ir na corrente e tornei-me tua amiga.
Todos os dias te esperava à hora de almoço para saber se iria percorrer o caminho até a casa apenas com as meninas, ou também contigo. Ao principio erámos quatro, depois ficámos apenas três, até que no fim restámos apenas nós dois. E eu corria de minha casa até à dos teus avós de sorriso saltitante, gritar pelo teu nome até que voltasses para mim e me acompanhases no caminho de regresso à escola. Era sempre assim, uma rotina de segunda à sexta. Conversávamos, brincávamos, riamos até a barriga doer, sem nunca nos fartarmos, quer dizer, eu pelo menos nunca me fartava.
Se queres que te fale com a alma e o coração nas mãos, então tenho que te dizer que todos os rumores que ouvias quando éramos pequenos eram verdade. Eu gostei de ti, muito até. Foste o primeiro rapaz de quem gostei, não amei, mas gostei a sério. Com todos aqueles calafrios, todos os batimentos apressados, e os sorrisinhos estúpidos. Gostei de ti não só como rapaz, mas também como amigo, como um melhor-amigo.
E agora, passados 7 anos, vejo-nos a caminhar lado a lado mas em sentidos opostos, a estarmos um ao pé do outro e nunca proferir uma palavra, nunca haver um sorriso, mesmo dos simples, não existir nada, absolutamente nada. Como é que pudemos ficar assim? Diz-me, M, como? Como é que passámos de amigos tão, mas tão chegados, a completos desconhecidos? Eu não te conheço mais, não sei nada de ti, e tu de mim muito menos. As vezes ainda me pergunto se quando me olhas vês a menina de 6 anos a brincar contigo à bola, às escondidas, ou às corridas. Eu vejo-nos, sabes? Não consigo ressistir, é mais forte que eu. E fico triste, o meu olhar cai quando te olha e perde-se, perde o brilho. Tenho tantas, mas tantas saudades pequeno, tantas.
Um dia voltas e contas-me o que andaste a fazer durante estes 7 anos longe de mim, sim? Tim tim por tim tim, e depois sim, rimo-nos de tudo até nos doer a barriga.
P.s - Faltaram-me as palavras, e não disse tudo o que queria ter dito, desculpa. Mas sabes, não chorei. acho que as lágrimas ficaram lá atrás, no tempo em que eu não conseguia aguentar a dor da tua perda, agora esgostaram-se, perderam-se ...
07-04-10
Passado uns meses a ter escrito isto, com tudo o que soube acerca de ti, perdi essa grande vontade de voltar a ter-te na minha vida. No entanto, este fim-de-semana trouxe de novo essa vontade. Tenho saudades... Muitos Parabéns, m.j. És oficialmente um homem, mas para mim serás sempre o menino que me acompanhava até casa nos dias de escola, o menino dos rubis verdes.


