terça-feira, 20 de setembro de 2011

Quando nos conhecemos tínhamos ambos (ainda) 6 anos, éramos muito diferentes do que agora somos. Não só a nível físico mas também a nível psicológico. Eu tinha acabado de aterrar numa escola onde não conhecia ninguém, numa terra onde nenhuma cara, excepto a da minha família, eu conhecia. Mas para a F, menina era tudo fácil assim como o era fechar os olhos e dormir. Era fácil comunicar com estranhos, era simples preencher os espaços que faltavam completar. Eu, era fácil. Tu eras um menino mais velho, tinhas mais um ano de experiência no teu histórico. Já sabias ler e fazer contas das mais simples. Já tinhas o teu grupinho de amigos, e mesmo que não o tivesses arranjava-lo num estalar de dedos. Eras sociàvel, muito boa onda como se diria na altura, divertido e tinhas (tens) uns olhos capaz de hipnotizar meio mundo, ou talvez só o mundo feminino.
Não me perguntes quando é que foi a primeira vez que falámos, o que dissémos, onde estávamos, eu não sei. Sei que me custou aproximar de um rapaz que mal conhecia, agarrar na minha mala grandeee laranja e acompanhá-lo até a casa. Era estranho para mim. Mas assim que esses rubis verdes me agarraram e esse sentido de humor me conquistou, deixei-me ir na corrente e tornei-me tua amiga.
Todos os dias te esperava à hora de almoço para saber se iria percorrer o caminho até a casa apenas com as meninas, ou também contigo. Ao principio erámos quatro, depois ficámos apenas três, até que no fim restámos apenas nós dois.  E eu corria de minha casa até à dos teus avós de sorriso saltitante, gritar pelo teu nome até que voltasses para mim e me acompanhases no caminho de regresso à escola. Era sempre assim, uma rotina de segunda à sexta. Conversávamos, brincávamos, riamos até a barriga doer, sem nunca nos fartarmos, quer dizer, eu pelo menos nunca me fartava.
Se queres que te fale com a alma e o coração nas mãos, então tenho que te dizer que todos os rumores que ouvias quando éramos pequenos eram verdade. Eu gostei de ti, muito até. Foste o primeiro rapaz de quem gostei, não amei, mas gostei a sério. Com todos aqueles calafrios, todos os batimentos apressados, e os sorrisinhos estúpidos. Gostei de ti não só como rapaz, mas também como amigo, como um melhor-amigo.
E agora, passados 7 anos, vejo-nos a caminhar lado a lado mas em sentidos opostos, a estarmos um ao pé do outro e nunca proferir uma palavra, nunca haver um sorriso, mesmo dos simples, não existir nada, absolutamente nada. Como é que pudemos ficar assim? Diz-me, M, como? Como é que passámos de amigos tão, mas tão chegados, a completos desconhecidos? Eu não te conheço mais, não sei nada de ti, e tu de mim muito menos. As vezes ainda me pergunto se quando me olhas vês a menina de 6 anos a brincar contigo à bola, às escondidas, ou às corridas. Eu vejo-nos, sabes? Não consigo ressistir, é mais forte que eu. E fico triste, o meu olhar cai quando te olha e perde-se, perde o brilho. Tenho tantas, mas tantas saudades pequeno, tantas.
Um dia voltas e contas-me o que andaste a fazer durante estes 7 anos longe de mim, sim? Tim tim por tim tim, e depois sim, rimo-nos de tudo até nos doer a barriga.

P.s - Faltaram-me as palavras, e não disse tudo o que queria ter dito, desculpa. Mas sabes, não chorei. acho que as lágrimas ficaram lá atrás, no tempo em que eu não conseguia aguentar a dor da tua perda, agora esgostaram-se, perderam-se ...
  07-04-10

Passado uns meses a ter escrito isto, com tudo o que soube acerca de ti, perdi essa grande vontade de voltar a ter-te na minha vida. No entanto, este fim-de-semana trouxe de novo essa vontade. Tenho saudades... Muitos Parabéns, m.j. És oficialmente um homem, mas para mim serás sempre o menino que me acompanhava até casa nos dias de escola, o menino dos rubis verdes.

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